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A Diretiva (UE) 2023/2673 traz uma ideia simples para as lojas online: quando o cliente tem direito de livre resolução, não basta esconder essa possibilidade num texto legal. O processo tem de ser visível, acessível e comprovável.

O que muda com a Diretiva (UE) 2023/2673

A Diretiva (UE) 2023/2673 altera a Diretiva 2011/83/UE, com foco forte nos contratos de serviços financeiros celebrados à distância. Mas há uma nuance importante: o novo artigo 11.º-A é inserido como regra sobre o exercício electrónico do direito de livre resolução em contratos à distância feitos através de uma interface online.

Em linguagem prática, quando exista direito de livre resolução aplicável e o contrato seja celebrado à distância através de uma interface online, a loja deve permitir que o cliente exerça esse direito também por via electrónica, de forma clara. A aplicação está marcada para 19 de junho de 2026, depois do prazo de transposição até 19 de dezembro de 2025.

Ilustração editorial sobre prazo e interface online para livre resolução

Não basta ter uma política de devolução

Ter uma página com Termos e Condições ou uma política de devolução continua a ser essencial, mas a obrigação vai além do texto. A lógica da diretiva é operacional: o cliente deve conseguir encontrar uma função de livre resolução, usá-la facilmente e receber prova do pedido.

Essa função deve estar bem visível, facilmente acessível e disponível durante todo o prazo aplicável. Também deve permitir indicar, ou confirmar, dados simples: nome, identificação do contrato ou encomenda e meio electrónico para receber a confirmação.

Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 24/2014 já prevê, em regra, 14 dias para a livre resolução em contratos à distância. Se faltar informação pré-contratual sobre esse direito, o prazo pode alargar-se até 12 meses.

Função pública de livre resolução na página de contactos da loja Shopkit

Isto aplica-se a todos os produtos?

Nem sempre. O direito de livre resolução não se aplica da mesma forma a todos os produtos e serviços, porque a lei prevê excepções e há tipos de produto ou de serviço em que esse direito pode estar afastado. Ou seja, a função electrónica acompanha os casos em que o cliente tem esse direito, não cria um direito novo para tudo o que é vendido online.

Se quiseres confirmar o enquadramento legal, vale a pena consultar a Diretiva 2011/83/UE, em especial o artigo 16.º, e o Decreto-Lei n.º 24/2014, nomeadamente os artigos 10.º, 11.º e 17.º.

Confirmação inequívoca e prova do pedido

O ponto mais relevante não é só o formulário. Depois de preencher a declaração, o cliente deve ter uma acção de confirmação inequívoca, para não haver dúvidas sobre o que está a submeter. Depois da submissão, o comerciante deve enviar, sem demora injustificada, um aviso de receção em suporte duradouro, com conteúdo e data/hora.

Isto aproxima a livre resolução de outros momentos críticos da compra: deve haver rastreabilidade, consistência e menos dependência de mensagens soltas por e-mail. Para uma loja pequena, pode parecer detalhe administrativo. Para quem recebe várias encomendas por dia, é a diferença entre um processo controlado e uma caixa de entrada confusa.

Formulário e passo de revisão para confirmar o pedido de livre resolução

Como a Shopkit ajuda a cumprir sem complicar

A Shopkit já tem uma funcionalidade própria para este fluxo. Está activa por defeito, disponível em todos os planos e aparece como formulário público, sem necessidade de login, na página de contactos da loja. Existe também uma entrada no rodapé que encaminha o cliente para o formulário.

O cliente pode indicar nome, e-mail, número da encomenda, escolher se pretende resolver todos os produtos ou apenas alguns e acrescentar observações. Antes de enviar, vê um passo de revisão com resumo dos dados, reCAPTCHA e botão de confirmação clara. Depois recebe um e-mail de comprovativo, enquanto a loja é notificada com os dados necessários para localizar a encomenda.

Na prática, a funcionalidade não substitui a análise do caso, a devolução física ou o reembolso. O que faz é facilitar a parte mais chata: receber o pedido, comprová-lo ao cliente e avisar a loja, com um registo mais organizado. Podes ver o detalhe técnico no artigo de suporte sobre direito de livre resolução na loja online.

E-mail de confirmação ao cliente com prova do pedido de livre resolução

Actualiza também a informação pré-contratual

A diretiva reforça que, quando aplicável, o cliente deve receber informação sobre a existência do direito, condições, prazo, procedimento, modelo de formulário e também a existência e localização da função electrónica. Por isso, convém rever as páginas legais, rodapé, página de contactos e mensagens automáticas.

Se estás a preparar uma loja nova, cruza isto com uma revisão mais ampla de legislação para abrir uma loja online. A ideia não é transformar a tua loja num portal jurídico. É garantir que o cliente encontra o caminho certo no momento certo.

Configuração da funcionalidade de livre resolução nas definições da Shopkit

Coimas e risco de incumprimento

Em Portugal, a ASAE fiscaliza e instrui processos nesta matéria. No quadro do Decreto-Lei n.º 24/2014, infracções relacionadas com deveres de informação, livre resolução e confirmação electrónica podem chegar, para pessoas coletivas, a coimas entre 2.500 € e 25.000 €, nos casos relevantes.

O risco, porém, não é só a coima. Um processo pouco claro aumenta pedidos repetidos, conflitos com clientes e perda de confiança. A leitura segura é esta: confirma as tuas regras legais com apoio especializado, mantém a informação visível e usa ferramentas que te ajudem a dar prova.

A Diretiva (UE) 2023/2673 deve ser lida com cuidado. Ela tem foco legislativo em serviços financeiros à distância, mas o artigo 11.º-A aponta para uma função electrónica aplicável aos contratos à distância sujeitos ao direito de livre resolução ao abrigo da Diretiva 2011/83/UE.