O e-commerce em Portugal está a mudar mais depressa do que a maioria dos lojistas percebe. Em 2025, o mercado chegou aos €12,9 mil milhões, cresceu 6,7% e já conta com 5,5 milhões de compradores online. Mas os números só contam metade da história, porque o que realmente importa é como esses compradores estão a mudar de hábitos, e como isso vai afectar a tua loja em 2026.
Neste artigo vais encontrar as principais tendências com base em dados reais, projeções concretas para 2026, e acções práticas que podes aplicar na tua loja.
O mercado português já tem massa crítica, e isso muda tudo
Com uma penetração de 57,8% entre internautas e um gasto médio anual de €1.319 por comprador, o e-commerce em Portugal deixou de ser uma alternativa ao retalho tradicional. Já é o canal principal para muitas categorias.

Mas há um detalhe que passa despercebido: o comprador online português já não está a “experimentar”. Já tem rotinas, referências e expectativas formadas. Quando mais de metade dos internautas compra online com regularidade, o teu concorrente não é só a loja do lado. É a experiência que o cliente teve na última compra que fez, em qualquer loja, em qualquer parte do mundo.
A projecção para 2026 aponta para um mercado acima dos €13,5 mil milhões. Globalmente, o e-commerce vai ultrapassar os $3,8 biliões em vendas. O crescimento não vai ser igual para todas as lojas. Vai beneficiar quem reduzir fricção, oferecer os métodos de pagamento certos e entregar com transparência. Se estás a pensar em entrar neste mercado, este guia sobre como começar no e-commerce é um bom ponto de partida.
A Península Ibérica como mercado único: €125 mil milhões e a crescer
A tua loja não compete só no mercado português. O mercado ibérico atingiu €125,6 mil milhões em 2025, com um crescimento de 13,7% face ao ano anterior. Espanha representa cerca de 90% deste valor, com mais de 30 milhões de compradores online contra os 5,5 milhões portugueses. E é exactamente essa assimetria que cria uma oportunidade enorme para ti.

Espanha é um mercado mais maduro, com maior frequência de compra e um universo de heavy-buyers que continua a crescer. Se vendes a partir de Portugal, tens um mercado seis vezes maior à distância de um clique, sem barreira linguística relevante e com logística cada vez mais integrada. A proximidade geográfica e cultural da Península Ibérica torna o cross-border ibérico mais natural do que qualquer outro destino europeu.
O perfil do comprador ibérico está a convergir: a Gen Z e os Millennials lideram em ambos os mercados, compram com mais frequência, em mais categorias, e são mobile-first. A diferença é que em Espanha este perfil já representa a maioria do mercado, enquanto em Portugal ainda está a ganhar peso. As tendências que já se consolidaram lá vão chegar cá com força nos próximos meses.
Se tens uma loja online em Portugal, o mercado ibérico não é um projecto de expansão para daqui a dois anos. É uma realidade actual. Quem já vende para Espanha sabe que o esforço é marginal face ao retorno: mesmos produtos, mesma plataforma, adaptação mínima de idioma e logística. Para preparares a tua loja, começa por consultar as taxas de IVA na Europa para garantir que tudo está alinhado.
A Shein ultrapassou a Zara em Portugal, e a lição não é sobre preço

Este é provavelmente o dado mais surpreendente de 2025: em moda online, a Shein já é a loja preferida dos portugueses, à frente da Zara. E não se trata apenas de preço. A Shein domina porque combina três coisas: descoberta constante através de algoritmos, variedade que parece infinita, e fricção mínima na compra.
Para uma loja portuguesa, a tentação é tentar competir no preço. Mas não é aí que está a oportunidade. O consumidor que compra na Shein sabe que está a trocar qualidade por preço. Quando procura qualidade, proximidade e um serviço que funciona, precisa de outra coisa.
A vantagem de uma loja local é concreta:
- Atendimento real: podes responder, trocar e resolver problemas como nenhuma cadeia global consegue.
- Produto com contexto: tens história, proveniência e qualidade que um catálogo genérico não oferece.
- Entrega previsível: uma loja em Portugal consegue prometer e cumprir prazos que a Shein simplesmente não garante.
Em 2026, as lojas que vão crescer em moda são as que assumem o seu posicionamento com clareza. Se és mais caro, explica porquê e entrega um serviço que justifique. Se queres estruturar a tua oferta, vê como podes vender roupa online com a Shopkit.
Não tentes competir com a Shein no preço. Compete naquilo que ela nunca vai ter: proximidade, serviço e confiança. É aí que uma loja portuguesa ganha.
Pagamentos: MB WAY domina, Multibanco cai e o parcelamento duplicou num ano
Os hábitos de pagamento dos portugueses mudaram mais depressa do que muitos lojistas acompanharam. O MB WAY já lidera com 49,8%, ultrapassando o PayPal (46,4%). O Multibanco por referência caiu para 30,6%, praticamente empatado com o cartão de crédito (30,4%).

O que isto significa na prática: o teu checkout já não é só “a última etapa da compra”. É parte da experiência. Se o cliente tem de procurar o MB WAY, ou se o método mais rápido não aparece em primeiro, estás a perder vendas sem saber.
Mas o dado que mais vai pesar em 2026 é o pagamento parcelado. O BNPL duplicou de 2,2% para 4,4% num só ano. A projecção é que ultrapasse os 8% em 2026. E não é porque o cliente não tenha dinheiro. É porque prefere dividir compras de valor mais alto e reduzir o risco percebido, especialmente em electrónica, mobiliário e moda de ticket mais elevado.
Se vendes produtos acima de €50 a €80, o parcelamento já não é um extra. É uma expectativa. Soluções como a Klarna já estão disponíveis na Shopkit e a integração demora minutos.
Na prática:
- Verifica se o MB WAY está visível e acessível no teu checkout.
- Revê a ordem dos métodos de pagamento: o primeiro que aparece é o que mais se usa.
- Pondera activar o parcelamento se o teu ticket médio justifica.
Na Shopkit, podes reorganizar a ordem dos métodos de pagamento no painel de administração. Coloca o MB WAY em primeiro e activa a Klarna para parcelamento em poucos minutos.
Entregas: os lockers saltaram de 10% para 25% e a Gen Z quer tudo para ontem
A entrega ao domicílio ainda é a opção mais usada (68,4%), mas está a descer ano após ano. Enquanto isso, os pontos de entrega fora de casa saltaram de 10% para 25% entre os vendedores portugueses. É a mudança mais rápida de todo o sector.

A razão é simples: o cliente quer controlar onde e quando recebe. Não quer ficar preso a uma janela de entrega das 9h às 18h num dia útil. E a Gen Z está a puxar esta mudança com força: 10,5% já prefere entregas no próprio dia, 85% compra vestuário online e são mobile-first com tolerância quase zero para processos lentos.
Outro dado relevante: a era dos portes grátis como regra universal está a mudar. Os dados mostram que os clientes aceitam pagar portes quando o serviço é bom e o preço é transparente desde o início. O problema nunca foi cobrar portes. O problema é o cliente descobrir os portes no último passo do checkout.
A boa notícia: se usas a Shopkit, já tens expedição de encomendas integrada com as principais transportadoras, incluindo opções de entrega em pontos pick-up e lockers. Não precisas de configurar nada de raiz.
Para preparares a tua loja:
- Oferece pelo menos uma opção de entrega fora de casa.
- Comunica prazos reais e concretos, não estimativas vagas.
- Revê como apresentas os portes de envio e a ordem dos métodos de envio, porque a forma como aparecem muda a conversão.
Abandono de carrinho: dois em três saem por surpresas no preço

Os números do abandono de carrinho continuam a ser brutais: 66,3% dos clientes abandona porque o preço final é mais alto do que esperava. Dois em cada três. A seguir vêm os problemas técnicos (22,4%), o prazo de entrega longo (19,6%) e a desconfiança nos pagamentos (16,9%).
O ponto importante é que a principal causa é evitável. As surpresas de preço vêm quase sempre de três sítios: portes que só aparecem no fim, taxas extra que surgem no checkout, ou cupões que não funcionam como o cliente imaginou.
E em 2026, a tolerância vai ser ainda menor. O consumidor já sabe que há alternativas a dois cliques. Cada passo confuso entre o carrinho e o pagamento é uma oportunidade para ele sair.
Um exercício simples que vale a pena: faz uma compra de teste no teu próprio site, do início ao fim. Anota cada passo onde o preço muda. Se encontrares inconsistências entre o carrinho e o pagamento, os teus clientes também encontram. A Shopkit tem ferramentas de recuperação de carrinhos abandonados que te ajudam a recuperar estas vendas automaticamente.
A causa número 1 de abandono de carrinho não é o preço ser alto. É o preço ser diferente do que o cliente esperava. Mostra os portes o mais cedo possível.
Segunda mão: já 44% dos compradores compram usados online

Durante anos, a segunda mão era vista como um nicho. Em 2026, é concorrência real. 44% dos compradores online já compra produtos usados, a Vinted domina o mercado, e 54,9% dos vendedores Gen Z preveem aumentar as vendas de segunda mão.
Para quem vende produtos novos, o impacto é directo: o cliente já aprendeu que consegue comprar bem sem pagar preço de novo. Isto cria pressão no preço de entrada e obriga a que a tua proposta de valor seja mais nítida.
Não quer dizer que tenhas de abrir uma secção de usados amanhã. Mas há caminhos que funcionam: uma linha de outlet com narrativa clara (fim de colecção, amostras), um sistema de trade-in simples onde o cliente entrega e recebe crédito, ou mesmo uma selecção curada de produto em segunda vida com qualidade garantida. Se quiseres explorar este modelo, tens aqui um guia prático sobre como vender artigos usados online.
Sustentabilidade: os teus clientes já escolhem com consciência, e não aceitam greenwashing
A sustentabilidade já não é só um argumento de marketing. Para os teus clientes, especialmente os mais jovens, tornou-se um critério de compra real que influencia o que compram, onde compram e como querem receber as encomendas.

Esta mudança vê-se em todo o lado: a economia circular já é mainstream em categorias como vestuário, tecnologia e acessórios, e o consumidor que compra em segunda mão também espera que tu, enquanto lojista, uses embalagens reutilizáveis, ofereças entregas com menor pegada ambiental e comuniques de forma transparente o que fazes pelo ambiente.
O dado mais relevante para ti enquanto lojista: os teus clientes estão dispostos a aceitar prazos de entrega ligeiramente mais longos e, em muitos casos, a pagar mais por opções sustentáveis, desde que o benefício ambiental seja claro e bem explicado. Não basta dizeres “somos verdes”. Tens de mostrar o quê, como e quanto.
Na tua loja, as acções mais imediatas são práticas:
- Embalagem: reduz o plástico, usa materiais recicláveis, e comunica isso na experiência de unboxing.
- Entregas: se o teu parceiro logístico oferece opções de entrega com menor pegada, apresenta-as como alternativa no teu checkout.
- Produto: se vendes artigos reutilizáveis, duráveis ou de produção local, destaca isso na ficha de produto. É diferenciação real.
- Transparência: evita o greenwashing. Se não tens certificações, não inventes. Comunica o que fazes de concreto, mesmo que pareça pouco.
O e-commerce já é digital por natureza. Em 2026, precisa de ser sustentável por exigência de quem compra. Se integrares práticas sustentáveis na tua loja agora, não estás a seguir uma moda. Estás a construir preferência de longo prazo. Se queres aprofundar, tens aqui um guia sobre como tornar a tua loja online mais sustentável e outro sobre como vender produtos sustentáveis online.
Social commerce: a jornada de compra encurtou e vai duplicar em 2026

O social commerce em Portugal ainda está numa fase inicial, mas a projecção aponta para que duplique em 2026. Na Europa, o mercado de live shopping ultrapassou os €10 mil milhões em 2025 e está a crescer a 37% ao ano. O número de vendedores activos em plataformas como a Whatnot cresceu 600% na Europa num só ano.
A mudança de fundo é esta: a jornada de compra encurtou. Em muitas categorias, o cliente descobre o produto num vídeo curto, vê os comentários como prova social, decide na hora e compra sem sair da plataforma. O erro mais comum é tratar as redes sociais como “canal de conteúdo” e a loja como “o sítio onde se compra”. Em 2026, estas duas coisas misturam-se.
Para aproveitares este canal:
- Tem o catálogo organizado e as páginas de produto preparadas para quem chega de telemóvel.
- Define formatos regulares: demonstrações de produto e prova social funcionam.
- Mede os resultados. Configura o Facebook Pixel para saberes o que converte.
Se precisas de uma base, começa por aqui: loja online no Instagram. E explora os canais de venda disponíveis na Shopkit.
Agentic commerce: quando a IA faz a compra pelo cliente

Esta é a tendência que mais vai mudar o e-commerce nos próximos anos, e a maioria das lojas ainda não está a pensar nela. O agentic commerce é o conceito de agentes de IA que pesquisam, comparam e compram produtos em nome do consumidor.
Segundo a McKinsey, o mercado de agentic commerce pode atingir entre $3 a $5 biliões globalmente até 2030, e a Morgan Stanley estima que quase metade dos compradores online vai usar agentes de IA para comprar até ao final da década. Em 2026, é o ano em que isto começa a ganhar escala.
O que é que isto muda para quem tem uma loja?
- Dados estruturados passam a ser críticos. Um agente de IA não vê imagens bonitas nem lê marketing emocional. Precisa de especificações claras, preços actualizados, stock real e descrições completas. Se a tua ficha de produto não tem esta informação estruturada, o agente do cliente simplesmente não te encontra.
- AEO além do SEO. Além de optimizar para o Google, vais precisar de optimizar para motores de resposta como o ChatGPT, o Gemini e o Perplexity. Se a IA não te recomenda, para uma parte crescente dos compradores, não existes.
- **O checkout tem de funcionar sem fricção.** Se um agente tenta completar uma compra na tua loja e encontra passos confusos, métodos de pagamento limitados ou processos que exigem intervenção manual, vai para outra loja.
Para 2026, o mais importante é garantir que as tuas fichas de produto estão completas, que o teu catálogo está bem estruturado e que o teu checkout funciona sem obstáculos. A Shopkit já inclui dados estruturados automáticos nas páginas de produto, o que te dá uma base sólida. Para ir mais longe, revê os aspectos de SEO e performance e prepara a tua loja para esta nova realidade.
Checklist: o que mexer na tua loja para 2026

Não ganha quem tem mais ideias. Ganha quem executa melhor o básico. Aqui fica uma lista curta para reveres:
- Transparência de preço: mostra estimativa de portes o mais cedo possível. Evita diferenças entre o carrinho e o pagamento.
- Pagamentos actualizados: MB WAY visível, parcelamento para tickets acima de €50, ordem dos métodos revista.
- Entrega com opções: pelo menos uma alternativa fora de casa. Prazos reais. Ordem dos métodos de envio optimizada.
- Fichas de produto completas: especificações, stock, preços actualizados. Isto já não é só para o cliente humano, é para os agentes de IA.
- Posicionamento claro: se vendes moda, não compitas no preço. Compete em proximidade, qualidade e serviço.
- Social commerce com intenção: cadência regular, páginas preparadas para mobile, medição de resultados.
- Segunda mão como oportunidade: se a tua categoria permite, experimenta outlet, trade-in ou selecção curada.
- Mercado ibérico: se ainda não vendes para Espanha, avalia. O esforço é mínimo, o mercado é seis vezes maior.
- Sustentabilidade com acção: embalagem reciclável, comunicação transparente e zero greenwashing.
- **Preparação para *agentic commerce***: fichas de produto completas, dados estruturados, checkout sem fricção (brevemente na Shopkit).
Dados do mercado português baseados no CTT E-Commerce Report 2025.
